Amor incondicional

Quem me segue nas redes sociais, conhece o Blacky, porque passo a vida a publicar fotos e vídeos desta criaturinha fofa.

Não me lembro quando comecei a ficar deslumbrada com a ideia de ter um cão, só me lembro de estar sempre a chatear a minha mãe para ter um. Usava argumentos como “nem sequer vivemos num apartamento e por isso a falta de espaço não é desculpa”. Porém, durante muito tempo as minhas tentativas foram sempre falhadas. 

Convivi com o cão dos meus avós paternos quando era pequenina, chamava-se Joy, um cão treinado pelo meu avô para a caça, embora eu o treinasse para ser um cavalo de competição, pobre coitado!

Lembro-me de estar sentada nas escadas junto à cozinha dos meus avós, pegar na vassoura e colocá-la no ar, na horizontal, para o Joy saltar por cima, e não é que ele saltava? Ficava toda contente, porque ele fazia o que eu queria e eu achava-me uma ótima treinadora de cães. Confirma-se com o Blacky que não tenho talento para isso! 

Entretanto, o Joy morreu e deixei de ter o meu companheiro, a quem eu adorava dar bolachas Maria como recompensa por ele brincar comigo. 

Nos primeiros tempos sem ele, chegava a casa dos meus avós e olhava para o canil com a sensação que ele ainda lá estava, mas infelizmente já tinha partido. A partir daí nunca mais convivi com um cão. 

Durante muitos anos nunca tive a ideia de ter um, mas recordo-me de ter ido ver o filme “Marley & Eu”, e o sentimento despertou novamente, embora tenha chorado baba e ranho a ver o filme! Eu e toda a gente que estava na mesma sala de cinema.  

Nunca devia ter dito que gostava de ter um “Marley”, porque o comportamento do Blacky por vezes aproximasse do comportamento do “Marley” e eu penso “como é que tu te rias disto no filme e adoravas passar pelo mesmo”?

Bem, depois desta alongada introdução devem estar a pensar “Avança Inês, tanto enredo e ainda não falaste do milagre chamado Blacky!”

Ora bem, tudo começou, porque a cadela de uma amiga minha teve uma ninhada de cãezinhos, e estava a dá-los mas queria que ficassem com alguém suficientemente responsável e de confiança. O Fábio estava interessado em ficar com um, então fomos a casa dela vê-los! 

Não posso deixar de dizer, que o maior erro que podia ter cometido, foi ir com ele, porque apaixonei-me logo por um dos cães. Pedi ao Fábio para ele ficar com “aquele pretinho, com as orelhinhas maiores”, mas ele não queria esse, queria o irmão (na verdade queria o branquinho, mas já tinha dono). 

Cheguei a casa e comecei a mostrar as fotos à minha mãe e a pedir-lhe para ficar com o cão das orelhas fofinhas. Como era de esperar ela não queria. Contei às minhas primas, e já éramos três a chateá-la para ficarmos com o cão! 

A verdade é que passado uns tempos, ela não dizia a palavra “NÃO”, e eu comecei a dizer para o ar “olha que quando o Fábio for buscar o dele, eu trago o meu!”.

Bem, chegou o dia e eu trouxe o das orelhinhas fofaaaas!!! Nem queria acreditar, “ESTOU A LEVÁ-LO PARA CASAAA”! Cheguei a casa e a minha mãe, só dizia “Oh meu deus devo estar louquinha!”, obvio que não claro xD

Quando o trouxe para casa, a minha principal preocupação era que ele sentisse a falta da mãe e dos irmãos, por estar num ambiente diferente, mas sorte a nossa, ele só chorou na primeira noite. Às cinco da manhã tive de descer as escadas e ir para a cozinha para o acalmar, estive um tempinho com ele e depois voltei a colocá-lo na caminha e lá ficou.  

Como nunca tinha tido um cão, não sabia como educar, e quais os cuidados principais a ter, então comprei livros sobre os principais cuidados a ter e como treiná-lo através do reforço positivo. Posso dizer que ele aprendeu rapidamente com os biscoitos, agora sem biscoitos…é outra conversa!

Lembrei-me de escrever este post no blog, acerca do Blacky, porque ele fez dois anos esta quinta-feira, dia 19 de Outubro e achei interessante partilhar a minha experiência.

O Blacky influenciou a minha vida. Digo muitas vezes que agora já não sou capaz de viver sem um cão. Revolta-me quando as pessoas me dizem “oh é apenas um animal!”, ou “aí tratas o Blacky quase como se fosse uma pessoa”. Mas porque razão é que não deveria ser assim? 

Outra coisa que me diziam era “Tu gostas muito dele porque ele ainda é pequenino, quando for grande já não vais achar piada!”…tipo….como assim? A verdade é que eu ainda o acho com mais piada agora, que já conhece as ‘manhas’ todas e já sabe algumas regras(quando quer)! E melhor, já vai fazer as necessidades sozinhooo uhuhu!! Já não preciso de pegar nele e ir a correr lá para fora para o pousar na relva para ele não fazer as necessidades na cozinha, sim eu fazia isto, mesmo em dias de chuva. Resultou!

Pessoas deste mundo, um cão, não é simplesmente um cão, é um ser que nos recebe em casa todos os dias como se fosse o melhor momento do dia deles. É ter uma casa cheia de brinquedos, e não, não é uma criança que lá vive, é mesmo o teu cão. É renovar o stock de meias com alguma frequência, é nunca mais jantar sozinha, nunca mais acordar sozinha, nunca mais ficar a dormir durante a manhã toda, porque sabes que há alguém que precisa que lhe abram a porta para ir à relva, é nunca mais estudar sozinha, nunca mais ter um pequeno-almoço só para nós. É sobretudo, nunca mais ter uma casa vazia.

Um coisa que aprendi, é que nós nunca temos o cão que “queremos” mas sim o que precisamos.

Ter um cão, é sentires que alguém sente por ti um amor incontornável, nem que seja porque lhe dás comida todos os dias ou brincas com ele. Ter um cão é nunca chorares sozinha.  É levantares a cabeça e obrigares a ti mesma a sair de casa e ir dar um passeio à beira mar com o teu fiel companheiro. 

Algumas pessoas não entendem o porquê do Blacky significar tanto para mim. Mas não importa, ele sabe. ❤

Inês.

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